
Korean Valley e empresas incubadas em Ivaiporã ganham destaque em fórum de negócios entre Brasil e Coreia do Sul
Guedes Smart Farm e Atelier Clínica Integrada foram citadas no mapa internacional de projetos do GDIN durante apresentação do Dr.Chang. O encontro abordou cooperação tecnológica, agricultura inteligente, saúde digital e inteligência artificial.
O Korean Valley e duas empresas incubadas na Incubadora Tecnológica de Ivaiporã foram apresentados ao público do 15º Korea-Brazil Business Forum, o Fórum de Negócios entre Coreia do Sul e Brasil, realizado em 17 de setembro de 2026, em formato híbrido, com programação em Seul e transmissão pela internet. Durante a apresentação do Dr.Chang, diretor do Global Digital Innovation Network (GDIN), a Guedes Smart Farm e o Atelier Clínica Integrada, liderado pela fisioterapeuta Núbia Quaresma, apareceram no mapa de projetos de cooperação tecnológica da organização.
O evento foi organizado pelo Instituto Coreano de Política Econômica Internacional, pela Sociedade Coreia-Brasil e pelo Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Sul, com apoio do GDIN. A edição teve como tema o roteiro de cooperação bilateral para quatro anos e as oportunidades de negócios entre os dois países.
Na palestra dedicada à construção de uma plataforma sustentável de colaboração, com foco em inteligência artificial e tecnologias digitais, o Dr.Chang apresentou o Korean Valley como uma das iniciativas de conexão entre empresas, instituições e ambientes de inovação brasileiros e sul-coreanos. Ivaiporã apareceu tanto na apresentação dos polos do programa quanto nos projetos brasileiros identificados no mapa internacional.
Duas empresas incubadas no mapa internacional de projetos
No slide sobre o papel das provas de conceito na transformação digital, o Brasil foi representado por duas conexões empresariais: Sherpa Space com Guedes Smart Farm e EXOSYSTEMS com Atelier Clínica Integrada. As iniciativas foram apresentadas ao lado de projetos de outros países, dentro do panorama de cooperação internacional do GDIN.
A Guedes Smart Farm está ligada à aplicação de tecnologia na produção agrícola. Segundo informações publicadas pelo Korean Valley, a empresa foi selecionada para um projeto piloto de tecnologia sul-coreana voltado à produção de morangos de alta qualidade, com desenvolvimento previsto na Incubadora Tecnológica de Ivaiporã. A proposta reúne agricultura familiar, cultivo suspenso, produção sustentável e ferramentas para aprimorar a gestão da produção.
O Atelier Clínica Integrada, por sua vez, participa da conexão entre saúde, reabilitação e tecnologia. O projeto liderado por Núbia Quaresma foi selecionado para um piloto voltado à fisioterapia esportiva e à alta performance, com possibilidades de aplicação em avaliação funcional, acompanhamento da recuperação física e análise do movimento humano.
Em publicação sobre as atividades realizadas em Maringá, o Korean Valley também informou que a cooperação entre a EXOSYSTEMS e Núbia Quaresma envolve a avaliação de uma plataforma de biomarcadores digitais neuromusculares baseada em inteligência artificial. O objetivo do piloto é examinar a aplicação da tecnologia em ambiente clínico brasileiro e sua adaptação às necessidades dos profissionais e pacientes.
A apresentação no fórum reuniu essas duas frentes, agricultura e saúde, em um mesmo mapa de colaboração. O material identifica as conexões entre as empresas brasileiras e sul-coreanas, mas não individualiza, naquele slide, a etapa de execução ou os resultados de cada projeto.
Ivaiporã foi apresentada como polo de agricultura inteligente
Na estrutura do Korean Valley exibida durante a palestra, Ivaiporã foi associada à transformação digital da agricultura, com foco em tecnologias agrícolas e produção inteligente. O material descreveu a incubadora como um centro com 17 escritórios e laboratório dedicado a aplicações de inteligência artificial, análise de grandes volumes de dados e internet das coisas no setor agrícola.
A apresentação também detalhou as áreas de atuação de outros dois polos paranaenses. Londrina apareceu vinculada à educação, saúde, biotecnologia e medicina veterinária, com estrutura de apoio à pesquisa na UniFil. Maringá foi relacionada à saúde digital, mobilidade e beleza, com referência ao complexo Cidade Aruna e à Universidade Estadual de Maringá.
A divisão apresentada organiza a colaboração por especialidades regionais: agricultura em Ivaiporã, educação e pesquisa em Londrina, e saúde e mobilidade em Maringá. No mesmo conjunto de slides, o Korean Valley foi ilustrado com imagens dos municípios e referências a instituições como Invest Paraná, Federação das Indústrias do Estado do Paraná e Associação Brasileira de Internet das Coisas.
Da aproximação entre empresas à aplicação da tecnologia
A estratégia apresentada pelo GDIN vai além da divulgação de soluções tecnológicas. O modelo mostrado pelo Dr.Chang envolve identificar empresas com interesses complementares, aproximar parceiros, desenvolver projetos conjuntos, buscar financiamento e apoiar a entrada em novos mercados.
Nesse processo, as provas de conceito, conhecidas pela expressão em inglês Proof of Concept, funcionam como etapas de teste e validação. Nos projetos brasileiros descritos pelo Korean Valley, isso significa avaliar tecnologias em situações práticas, como a produção agrícola e o atendimento clínico, antes de uma eventual ampliação de sua utilização.
A palestra também apresentou a formação de empreendimentos conjuntos entre empresas de diferentes países, as chamadas joint ventures, como um dos caminhos para desenvolver soluções, adaptar produtos aos mercados locais e estruturar operações internacionais. O modelo inclui apoio à validação tecnológica, adequação comercial e acesso a oportunidades de investimento.
Para contextualizar o alcance dessa atuação, o panorama exibido durante o fórum informou 166 projetos globais identificados, oito provas de conceito concluídas e 20 em andamento. Esses números se referem ao conjunto internacional apresentado pelo GDIN, e não exclusivamente às iniciativas brasileiras.
Inteligência artificial e saúde digital também estiveram na agenda
Além dos projetos já identificados, a apresentação abordou propostas para ampliar o acesso à infraestrutura de inteligência artificial e a serviços de saúde digital no Brasil. Entre os desafios apontados estavam o custo elevado dos recursos computacionais, a concentração da infraestrutura e as dificuldades de integração dos serviços de saúde.
Uma das iniciativas apresentadas foi o Centro Modular de Computação em Inteligência Artificial, identificado nos slides pela sigla MACC. A proposta prevê estruturas modulares de processamento, com o objetivo de disponibilizar infraestrutura localizada, reduzir custos e consumo de energia e ampliar o acesso à computação de alto desempenho em polos de inovação.
Na área da saúde, foi apresentado o Centro de Check-up de Saúde Digital, identificado pela sigla DHCC. O conceito busca integrar avaliações digitais, exames de imagem, análise apoiada por inteligência artificial e telemedicina, com atenção à ampliação do acesso ao atendimento e à conexão com áreas remotas.
Os dois modelos foram expostos como possibilidades de cooperação e transformação digital. Os slides, porém, não informam cronograma, orçamento ou implantação confirmada dessas estruturas em Ivaiporã.
Uma conexão entre a incubação local e a cooperação internacional
O GDIN se apresenta como uma fundação sem fins lucrativos estabelecida sob o Ministério da Ciência e das Tecnologias da Informação e Comunicação da Coreia do Sul. Sua atuação é voltada à conexão internacional de empresas e soluções digitais, contexto no qual se insere a colaboração com o Korean Valley.
No Fórum de Negócios entre Brasil e Coreia do Sul, essa conexão foi demonstrada por meio de projetos identificados nominalmente. A Guedes Smart Farm e o Atelier Clínica Integrada apareceram associados a parceiros sul-coreanos, enquanto Ivaiporã foi apresentada como um dos polos da plataforma de colaboração tecnológica.
A presença das duas empresas no material do GDIN documenta a inserção de iniciativas ligadas à Incubadora Tecnológica de Ivaiporã em uma agenda internacional de agricultura inteligente e saúde digital, com projetos voltados à aplicação e à avaliação de tecnologias na realidade brasileira.